quarta-feira, 28 de outubro de 2009

UMA DESCIDA À OLARIA...




UMA DESCIDA À OLARIA

• “Como vasos na mão do oleiro assim são-vos na minha mão oh casa de Israel”
• Quando cumprimentei o oleiro ele já deduziu minha intenção, eu estava acompanhada por um casal de pastores e meus trajes me denunciavam como cristã evangélica. Sorri para o oleiro e assim que este se propôs a me satisfazer as curiosidades me dedicou à investigação da confecção do vaso de barro.

• Desprezei na entrada o amontoado de argila que escoava água, ela tinha um visual nada uniforme com uma coloração sombria entre preto e branco acinzentado. Talvez por causa da água que por meses eliminava, a argila fica do lado de fora da olaria. Passei por cima daquele cenário lamacento sobre tábuas e me erigi satisfeita em postura observadora dentro da olaria fascinada com as prateleiras ostentando não poucos vasos das mais variadas formas e tamanho. Não desviaria tão cedo o olhar daquele panorama não fosse à voz gentil do oleiro a nos perguntar se gostaríamos de assistir a confecção de um vaso imediatamente.


• Seguimos os passos do oleiro em meu rosto um riso preso em fascínio. O oleiro simploriamente vestido cingido de avental apanha uma pá e se dirige para fora onde está a matéria prima para seu trabalho, com bastante esforço carrega sua pá e leva nela mesma a argila para um funil de porte grande,encaixado num cano posto da ,que aqui no Brasil numeramos como cano de cem.Este na vertical se encaixava por sua vez numa curva que ligada a outro cano de cem posto na forma horizontal .Dentro do primeiro cano uma hélice em aspiral motorizada tritura o barro lançado da pá. Função da hélice diminuir os resíduos e homogeneizar a argila para o trabalho. O cano na horizontal por sua vez lança o cone de barro numas carretilhas corrediças oferecendo ao oleiro o barro para análise.


• Enquanto acreditávamos que o oleiro levaria dali a argila para a mesa de trabalho apreensiva observei-o levar barro para a prensa, o que acudi com minha óbvia indagação. Quis saber por que ele achava necessário recolocar o barro na prensa, oleiro sorriu sereno e concordou comigo que “aparentemente” o barro não exige tal processo, porém abrindo o cone quebrando facilmente com as mãos me fez comprovar que por dentro a argila ainda esfarelava e a homogeneidade só consistia nas margens do cone. Admitido o procedimento vimos o cone de barro sofrer inúmeras vezes o tratamento da hélice trituradora até que estivesse completamente maleável a fabricação do vaso.


• Satisfeito com o resultado o oleiro com alegria leva o barro tratado para a mesa principal da olaria. Mesa rude seus utensílios; rodas de madeira e uma lasca de cano com uma ponta útil e um recipiente grande que continha uns seis litros de água. No centro dessa mesa um orifício com um cabo de vassoura embutido cabo esse com sua base no eixo de uma roda de bicicleta. Essa roda ligada a um motor pequeno girava rapidamente interrompida apenas por um pedal também improvisado de madeira. Já a outra ponta do cabo rente à mesa encaixava-se a uma roda de madeira que girava com a velocidade que o pedal permitisse. Sobre essa roda de madeira uma pequena parte de argila era acertada para base de outra que receberia a porção total exigida na confecção do vaso, sendo por isso possível remover sem tocar no vaso a segunda roda de madeira posta sobre a definitiva roda integrante da mesa.


• O barro é sovado e arremessado à mesa com um pouco de força e em seguida posto sobre a roda compactada. O motorzinho ao pé do oleiro é ligado por um interruptor na lateral da mesa e a obra começa. O barro obedece às mãos habilidosas do oleiro enquanto gira e a mãos do oleiro vai formando sem pressa e repetidas vezes um cone que perdendo a cor acinzentada de origem com o manipular das habilidosas mãos ganha uma cor caramelo.


• O oleiro se concentra na obra alternando a mão que leva frequentemente ao recipiente de água. A água impede o acúmulo de barro na palma das mãos e possibilita a percepção de impurezas na argila. Por várias vezes o oleiro pára sua obra para extrair, com a lasca de cano do barro trabalhado; pedrinhas, pedacinhos de madeira e até coquinhos. Numa das vezes o oleiro julgou necessário desligar o motor que girava as rodas porque o processo ia ser demorado e a extração de uma pedra significativamente grande deveria receber na mesma cavidade igual porção de barro para que no processo posterior não levasse a perder todo o trabalho.


• A obra é concluída e a perfeição aplaudida. O oleiro cuidadosamente retira da base à primeira roda e leva com o vaso recém formado para uma das muitas prateleiras da olaria. Este, porém ele colocou em alta prateleira para evitar acidentes com a obra ainda amolecida.


• O processo seguinte seria esperar secar naturalmente o vaso de barro a seguir ele dispensa o favor da roda de madeira já se pode transportá-lo sozinho para a fornalha onde a madeira em junção só encarvoaria o barro tão cuidadosamente trabalhado.


• A fornalha feita de tijolos, com piso vazado, sobre um túnel, consiste em duas partes divididas de forma desigual. A primeira repleta de madeiras lenhadas para fogo até o teto dividido por uma mureta que por sua vez só cobria de modo a proteger do fogo os vasos cuidadosamente depositados a partir dali na segunda parte um pouco maior dessa fornalha.

• O fogo acende na primeira parte da fornalha e por três dias inteiros arde em tempo seguindo um curso rotatório por cima da mureta seguindo acima dos vasos e sem opção desce pelo túnel voltando a circular os vasos por cima e por baixo.
• A ordem desses vasos assegura a permanência deles na mesma posição até que a fornalha esfrie. Para ser isso possível os vasos são colocados um do lado do outro com precisão e para apoio muitos vasos grandes recebiam o favor dos pequenos para que no calor do fogo não tombassem.


• A fornalha fria é aberta e os vasos removidos para um lugar onde possa ser revelado o brilho contido sob a densa poeira, acumulada pela purificação. Uma lixa executa o trabalho do verniz. Em seguida eles são levados a exposição e adquiridos por bom preço.


• Resta o trabalho final de limpeza no interior da olaria e a ordem é zelada para transitá-lo; clientes, funcionários bem como o gentil e cuidadoso oleiro. Vassouras e pás sacos de cacos e algum lixo são recolhidos até mesmo vasos quase inteiro observei um vaso recortado em forma circular perto da borda, causando lamentável expressão em quem visse pelo que questionei junto ao oleiro o porquê tão bela obra se partiu. Este vaso ficou da remeça anterior e sofreu esse trágico acidente dentro da fornalha já na faze final, por exigência do cliente que demasiadamente apressou o pedido levando assim o oleiro a se preocupar menos com as pedrinhas no trabalho da massagem do barro sobre as rodas. Aquele vaso sofreu o descuido de um pequenino coco que no calor da fornalha acendeu dentro da argila ardendo em chamas e dando espaço para bolha de ar nas paredes do vaso esse espaço vazio com apenas ar provoca o efeito bombástico no vaso seguindo a linha da arte naquele caso circular e rompendo assim tão bela obra. Subentendi que se faz necessário parar o motorzinho para a remoção de resíduos e preencher o espaço vazio de argila evitando assim o acúmulo de ar, que ocasiona danos posteriores invalidando o vaso. A menos que com alguma massa plástica seja tal peça remendada e com alguma decoração e arranjos sirva tão somente de adorno ignorando qualquer atividade.


• Foi me oferecida à oportunidade de confeccionar um vaso o que aceitei prontamente. Tão logo me assentei à mesa minha saia de seda discordou com o cenário e bem logo ficou enlameada. Também não obtive disposição para tantas vezes que necessárias molhar as mãos o que acumulou muita massa argilosa que desmerecia toda e qualquer impureza no barro trabalhado. Quando fui advertida pelo oleiro acerca dessa necessidade sem habilidade acumulei muita água no interior do vaso que não acompanhou meus movimentos e foi alargando as bordas. Cumpri mi com as duas mãos as bordas não sabendo equilibrar o movimento das rodas com o movimento das mãos e quando assim fiz minha obra estourou na base enlameando; minha a mesa, minha roupa, o oleiro e o oleiro, me deixando embaraçada com minha pouca competência para tal exercício. Rimos todos e concluímos que melhores mãos que as do oleiro para tal obra não há.
• Caiamos nas mãos do “Oleiro” porque muitas são as suas misericórdias,mas nas mãos dos homens não caiamos nós! II Sm 24:14

9 comentários:

  1. Parabens pelo post. é verdade a arte do oleiro de almas está retida apenas a Ele que além de criar dar vida, além de exortar colhe as lágrimas, além de nos proteger de todos os inimigos, coloca-os debaixo dos nossos pés. Que Deus Maravilhoso, que nos inspira a adorá-los pois somos tão insignificantes diante de sua Glória que não poderiamos proferir palavra alguma sem o auxilio do seu Espirito Santo sem causar um sacrilégio pois somos tão duros em palavras.

    Continue a ser usada por Deus pois maior privilégio não há.
    Parabens mana Querida....

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  2. Ola
    Adriane
    Obrigado por seguir nosso blog

    estou seguindo o seu também.

    lindo mesmo o seu texto.
    Quebra a minha vida, e, faça de novo
    Eu quero ser um vaso novo
    nas mãos do oleiro

    grande abraço

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  3. Meus maninhosdo coração;Luis Orlando e Luiz Clédio Monteiro... Me sinto envaidecida com a presença de ambos, por conhecer a sabedoria dada por Deus vcs e notar tamanha humildade que dedicam na visita a essa pagina.
    Meu carinho.......

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  4. Ola Adriane, é uma honra ve-la seguindo nosso blog. venha e fique a casa é sua alem fo mais somos Monteiro.

    bjs no seu coração...

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  5. Amiga, estive por aqui lendo e meditando...
    pelo que me aproprio das palavras do profeta Isaías " ...ó Senhor...nós somos o barro, tu és o oleiro, somos todos obra das tuas mãos."
    Bjs

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  6. é maninha cada dia que passa noto qto mais somos dependentes das mãos habilidosas dEle.
    Me afino de rir do medo que tinha decantar hinso que pedisse pra Deus me quebrar e me fazer de novo...rs
    isso deve ser feito continuamente pra que eu não me perca.
    Que bom ter vc por perto!

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  7. Pois é parece que somos meio parenes né Luiz?
    Rs...
    Quando der conversamos por mais tempo!
    Abração ...

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  8. Graça e paz!
    “Andando” por aí cheguei até o seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.
    Já estou te seguindo e aos poucos venho conhecer mais os seus textos.
    Será uma honra te receber no pastoragente.blogspot.com, e se quiser segui-lo vai ser uma alegria pra mim.
    No blog conto da forma mais realista e divertida possível as realidades, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
    Fique na paz. Um abraço.

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  9. Pastoragente du céu!!!
    Qdo vizitei seu blog senti qto a senhora é humilde!
    Que lindo seu blog
    que criativo e muito espirituoso!
    Amei!!!
    Que privilégio ter sua amizade!

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