terça-feira, 13 de outubro de 2009

DIZEM QUE FAZ MUITO FRIO LÁ FORA....





A temperatura cai, dentro de minha casa recorro ao agasalho que adquiri, o último lançamento na moda atual. Demoro-me na escolha então a vaidade sorri me deixando exausta, porém satisfeita com o reflexo do espelho, afinal eu terei o inverno inteiro para esgotar meu extenso enxoval.
Na aquecida cozinha funcionárias se apressam para nos servir o cardápio de hoje. Na sala a lareira já foi acesa, o jantar deverá ser servido logo. Ao observar o preciso termômetro na estante, vejo que com razão o repórter na tevê treme sob o pesado casaco de peles. a neve já começa a nos oferecer um belíssimo espetáculo. O jantar decorre como o desejado, o bom vinho já nos proporciona a nítida sensação de estarmos envolvidos por um aconchegante cobertor de peles. Um bom filme é apreciado em companhia de amigos. Horas se passam e pela janela se vê a neve atingir-nos apenas com o belo visual, enchendo os olhos.
Fomos deitar mais cedo, haja vista nossa programação matinal de amanhã, escalaremos a montanha além. Meu bebê dorme. Rosada face me furta um beijo suave e um olhar terno. Em seu berçozinho envolto em fartos cobertores dorme seguro junto a nossa cama. Minha alma folga em satisfação, concordo com a sugestão do sono e adormeço como os demais.
Sou despertada, no entanto dessa última alucinação, por um gélido filete de lágrima. Na dura realidade que circula a minha vida a tantos anos nessa calçada, tão próxima da mansão que descrevo. Visualizo minha última lembrança assentada nessa praça, nesse inverno cruel, vejo meu filho cadavérico, agonizando em meus fracos braços congelado. A vida tenta me fazer reagir me trazendo de volta a tempo de recobrar os sentidos e depois perde-los para sempre num duelo finito com a morte.
(segue a morte de ambos)

Pensamento extraído de uma meditação na seguinte referencia: Mt. 25:31-46: “Tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber, sendo estrangeiro, não me reconhecestes; estando nu não me vestistes; e estando enfermo, ou na prisão não me visitastes. Então eles também lhes responderão dizendo: senhor, quando te vimos com fome ou com sede,ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. ”

ADRIANE MONTEIRO, 11/05/2007 – FAZENDA RIO GRANDE – PR

3 comentários:

  1. Um texto exuberante no estilo e sugestivo na conotação.
    Uma mensagem lapidada para extrair das palavras toda a beleza que encerram,mas bem que eu queria mergulhar nas entrelinhas...atingir os estertores da alma que fez de tão grave contexto,uma agridoce poesia!
    (rsrs)bjssss,
    Laudiceia Mendes

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  2. Vim agradecer por suas palavras são esses tipos de incentivos que nos fazem continuar. e geralmente são assuntos ou problemas enfrentados no ministário ou na minha igreja. Pois só a Palavra de Deus tem respostas as nossas aflições e crises.
    Mais uma vez obrigado!

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  3. Amém queridos.Escrevi essa crônica numa manha muito fria de Curitiba. Qdo voltando da panificadora chorei com a imagem de dois pequenos meninos descalços na calçada branca de geada! Vestidos com roupas muito curtas! Enqto os meus nos cobertores esperando o pãozinho chegar!.... :'(

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